Pobreza e desigualdade atingem menor patamar em 30 anos — mas a luta continua

Novo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que o Brasil bate recorde em crescimento de renda, além da diminuição da desigualdade e queda dos níveis de pobreza. No ano de 2024, o país atingiu os melhores resultados nos quesitos renda, desigualdade e pobreza de toda a série histórica do IBGE, iniciada em 1995.
Em três décadas, a renda domiciliar per capita cresceu cerca de 70%; a desigualdade (medida pelo grau de concentração de renda) caiu quase 18%; e a extrema pobreza, que antes atingia um quarto da população, foi para menos 5% dos brasileiros.
Mas esse avanço não foi constante. O maior crescimento aconteceu entre 2003 e 2014, e voltou a ganhar força entre 2021 e o ano passado. Entre 2014 e 2021, houve recessão, lenta recuperação e a pandemia de covid. Em 2021, por exemplo, a renda por pessoa estava no nível mais baixo da década. Em três anos, a renda média real cresceu mais de 25%.
Para a classe trabalhadora, esses avanços têm impacto imediato: mais famílias conseguem garantir alimentação adequada, pagar contas básicas e manter seus filhos na escola. A renda volta a circular nos bairros populares, movimenta o comércio local e fortalece a economia.
Mas é importante lembrar: embora os índices tenham melhorado, a desigualdade ainda é estrutural e continua sendo uma das maiores do mundo. Milhões de brasileiros seguem sem acesso pleno à saúde, educação, moradia digna e trabalho decente. Os mais pobres ainda são os que mais sofrem com o aumento dos preços, com a precarização do trabalho e com os ataques aos direitos trabalhistas.
Por isso, o papel do sindicato é fundamental neste momento. É hora de:
• Defender a política de valorização do salário mínimo, essencial para combater a pobreza.
• Lutar contra a precarização e exigir emprego formal com direitos.
• Ampliar a organização da categoria, para que os avanços não dependam apenas de políticas de governo, mas da força permanente dos trabalhadores.
• Cobrar mais investimentos sociais, especialmente em educação, saúde e habitação.
A queda da pobreza e da desigualdade mostra que quando o país olha para a maioria, a vida melhora para todos. Agora, precisamos transformar esse momento em um projeto duradouro de desenvolvimento com justiça social.
Com informações da Rádioagência Nacional/ Foto: Governo do Ceará/Divulgação

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