Má qualidade da alimentação, assédio moral e falta de aplicação de um plano de cargos e salários. Esses foram os principais tema abordados na assembleia que o Sindicato realizou na tarde desta terça-feira (1), com os trabalhadores na unidade Anhanguera da Foxconn.
A diretora sindical Luciana da Silva abriu a assembleia destacando o desrespeito que existe dentro da empresa por parte de líderes de setor. “O respeito deve ser o alicerce da sociedade. É preciso agir com empatia, ouvir, acolher e respeitar. Mas aqui não tem isso”, lamentou, questionando ainda os critérios de avaliação dos trabalhadores adotados pela empresa.
Leandro Reis, também diretor do sindicato e trabalhador na unidade, começou falando a respeito do plano de cargos e salários. “Há cerca de 10 anos tivemos uma greve de três dias aqui justamente reivindicando a implantação de um plano de cargos e salários, mas até hoje isso não aconteceu. Há companheiros que estão aqui há 13 anos no mesmo cargo. Isso não é justo”, destacou.
Mas o ponto alto em todas as falas, que vem mobilizando os trabalhadores, é a má qualidade da alimentação. “Desde o ano passado nós estamos cobrando melhorias na alimentação. E essa mobilização precisa continuar. Vocês são diariamente cobrados na produção. Então também têm o direito cobrar qualidade nas refeições, pois a empresa alega que não há reclamações”, acentuou a diretora Rose Prado.
O presidente do Sindicato, Luís Carlos de Oliveira (Lu), se mostrou indignado com os relatos de refeições cruas, duras e até com a presença de pedaços de plásticos e vermes nas saladas. “É o fim do mundo. Eu não acredito nesse tipo de coisa”, resumiu. “O trabalhador merece respeito. Nós vamos mais uma vez cobrar a empresa e dar um prazo de 15 dias para que essa situação se resolva. Se isso não acontecer, vamos elaborar um dossiê e encaminhar para a Foxconn Brasil, Foxconn China e para a Apple, para a qual essa unidade produz, para que todos saibam de que forma os trabalhadores estão sendo tratados aqui. Findo esse prazo voltaremos aqui para uma nova avaliação e definir com vocês os passos seguintes”, arrematou.
Pautas nacionais
O presidente aproveitou a oportunidade para chamar a atenção dos trabalhadores para dois temas que estão em discussão e que afetam diretamente os trabalhadores: as lutas pelo fim da jornada 6X1 e pela isenção da cobrança de Imposto de Renda para quem recebe até R$5 mil mensais. “O fim da escala 6×1 liberará um tempo adicional para o estudo, uma maior convivência familiar e o desfrute de atividades culturais e de lazer. Já a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$5 mil, representa um projeto de país mais justo, onde os mais pobres pagam menos e os mais ricos contribuem mais, ao contrário do que acontece hoje”, afirmou.
Porém, com um Congresso onde 72% de parlamentares empresários e fazendeiros, avançar em pautas que representam melhoria de vida para os trabalhadores gera resistência e exige pressão popular. “Neste sentido, precisamos pressionar o Congresso, colocar as pautas no centro do debate. Por isso chamamos todos a enviar um e-mail para seus deputados, cobrando uma posição de defesa da classe trabalhadora”, convocou.
A assembleia teve mais uma vez a presença da intérprete de libras Silvia, que garantiu a acessibilidade a todos os participantes.















